quarta-feira, 17 de agosto de 2011

avó*



Nunca pensei que isto fosse acontecer, pelo menos tão cedo. Não estava a espera, nem nunca pensei que doesse tanto. Desde pequenina que estava habituada a ter-te por perto, afinal foi contigo que passei a minha infância toda. Eras dotada de uma paciência incrível, eu e a mana passávamos o tempo todo a discutir ou então com as nossas birras que ainda hoje são uma constante, eu sei que te chateávamos imenso mas mesmo assim tu não te zangavas connosco. Contavas-me tantas histórias do mano, de ti, da mamã e eu ouvia-as todas com muita atenção, sempre fui muito curiosa e adorava ouvir-te. E agora? Quem me vai contar histórias ? Quem me vai dizer para ter cuidado com os rapazes? Quem me vai limpar as lágrimas quando eu chorar? 
Adoravas fotografia, tal e qual como eu e hoje com muito esforço e com as lágrimas a escorrerem-me pela cara, trouxe as tuas fotografias, as do mano e as nossas e vou guarda-las sempre.
A mamã está tão triste, acho que nunca a vi assim e custa muito. Ela não merece, já chegava o que tinha acontecido com o mano. A mana também está tão triste mas é tão corajosa que consegue limpar-me as lágrimas e ter sempre uma palavra a dizer. Eu não sei que fazer para a ajudar. Não posso fazer muito, tento ser forte à frente delas mas na verdade isto está-me a custar tanto que é difícil manter um sorriso. Hoje quando liguei ao papá, não consegui conter as lágrimas e eu sei, sei que ele ficou preocupado connosco e por isso veio logo que pode e com ele aqui as coisas parece que melhoram, sempre ajuda.
Amanhã? Amanhã vai custar mas sei que eles estão lá, do meu lado. E hoje sei, sei que há uma estrelinha mais brilhante que as outras todas. Quero acreditar que estas melhor assim, que só foste ter com o mano e que agora estão os dois a olhar por mim. 

Do fundo do coração, amo-vos

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